domingo, 4 de junho de 2017

FERA RADICAL (BASTIDORES)

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“Fera Radical” foi um dos maiores sucessos das 18h da Globo. A novela foi inspirada na peça “A Visita da Velha Senhora”, do suíço Friederich Dürrenmatt. Em 1973, Walther Negrão também se inspirou na mesma peça para escrever Cavalo de Aço, exibida às 20h, substituindo “Selva de Pedra” de Janete Clair. Foi a única novela de Walther Negrão, para o horário nobre da Globo.

Malu Mader como Cláudia em "Fera Radical (1988)"
Tarcísio Meira como Rodrigo em "Cavalo de Aço (1973)"
Em “Cavalo de Aço”, o protagonista não era uma mulher e sim, Tarcísio Meira vivendo Rodrigo, que chega a Vila da Prata, uma cidade fictícia do interior do Paraná, com o objetivo de vingar o extermínio de sua família, que ocorreu quando ele era um menino. Ele sabe que o responsável pelo massacre é o sr. Max (Ziembinski). Rodrigo se torna líder de uma revolta social contra Max, que domina a venda de madeira dos pinheirais e todo o mercado de trabalho da região.

Tarcísio Meira (Rodrigo) e Betty Faria (Joana) em "Cavalo de Aço (1973)"
Tarcísio Meira (Rodrigo) e Glória Menezes (Miranda) em "Cavalo de Aço (1973)"
Em meio à disputa, ele se vê dividido entre o amor de Miranda (Glória Menezes), uma fazendeira rude, e a jovem Joana (Betty Faria), a filha de Max.

Ricardo Linhares mudou-se para São Paulo para trabalhar como colaborador de Walther Negrão em Fera Radical, em um período em que a máquina de escrever e o carbono eram os instrumentos de trabalho dos escritores. Nada de internet ou computador, apesar da novela entrar na era cibernética, com indícios de globalização.

Fera Radical foi uma novela rural com ares de urbana. Em pleno 1988, a computação estava evoluindo nas novelas, assim como na vida real. Claudia (Malu Mader) era uma analista de sistema que chegava com a tecnologia cibernética para ser novidade na pequena cidade de Rio Novo.

Já considerada uma estrela de primeira grandeza da Globo, Malu Mader viveu sua primeira protagonista de novela, como Cláudia de “Fera Radical”. Lembrando que, em 1986, a atriz protagonizou a minissérie “Anos Dourados”, de Gilberto Braga.

Cláudia foi considerada pelo jornal Folha de S. Paulo, a "fera radical no Dallas tupiniquim".

Dallas é uma longa série de televisão norte-americana, de horário nobre, que foi exibida originalmente entre 2 de abril de 1978 a 3 de maio de 1991, pela estação televisiva norte-americana CBS. Estreou no Brasil no início da década de 1980 pela Rede Globo, que exibiu inicialmente suas duas primeiras temporadas na faixa das 22h, como se fosse uma minissérie. Devido ao enorme sucesso a série ganhou espaço fixo na grade da emissora nas noites de domingo, logo depois dos Gols do Fantástico. Ao longo da década de 1980, a Rede Globo exibiu o seriado até 1988. Em 1989, a série migrou para a Rede Bandeirantes, onde foi exibida toda quinta-feira na faixa das 21h30, lá permaneceu até 1992. Ainda na década de 1990, foi ao ar pelo canal pago Teleuno (atual AXN). Em 25 de outubro de 2008 estreou na RedeTV!, desde o primeiro episódio. Também foi exibida no canal pago TCM, de segunda a sexta às 07h e às 13h. A partir de 1 de maio de 2012 reprisado no Canal Viva do grupo Globosat.

Fernando foi o primeiro protagonista de novela de José Mayer, apesar de já ser um ator consagrado como o Ulisses de “Guerra dos Sexos (1983)”, o Edson de “A Gata Comeu (1985)” e o Zé do Burro na minissérie “O Pagador de Promessas”, curiosamente exibida entre 5 e 15 de abril de 1988, já com Fera Radical no ar (a novela havia estreado no dia 28 de março de 1988).

O peão Fernando deu início ao tipo de personagem que José Mayer repetiria nas próximas novelas. Um tipo galã sedutor e pegador como aconteceu em Tieta (1989/90), vivendo Osnar; Meu Bem Meu Mal (1990/91), vivendo Ricardo Miranda; Laços de Família (2000), vivendo Pedro; Presença de Anita (2001), vivendo Fernando Reis; Viver a Vida (2009/10), vivendo Marcos Reis, entre outros.

Fera Radical foi um dos últimos trabalhos de Carla Camurati em novelas e na TV propriamente dita. Uma das musas dos anos 1980, assim como Malu Mader, Camurati lançou moda usando jaquetas jeans.

Sônia Gallo e Paulo Lois foram os figuristas de "Fera Radical". Paulo Lois lembra que o tom rural da trama definiu a caracterização de muitos personagens. Destaca a jaqueta usada por Marília (Carla Camurati), uma marca da personagem. Ela vivia entre o universo urbano, por ter morado muito tempo na cidade, e a fazenda, tendo uma forte ligação com a terra e os animais.

Em 2007, Carla Camurati assumiu a presidência da Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro e comandou a reforma do teatro que durou cerca de 850 dias ao custo de 75 milhões de reais. Ela também foi casada com Thales Pan Chacon – o Heitor de “Fera Radical” – que morreu no dia 2 de outubro de 1997, em sua casa, no bairro do Higienópolis, pouco antes de completar 41 anos, vítima do vírus da AIDS, doença que havia contraído dez anos antes, quando estava ensaiando a ópera La Serva Padrona.

Fera Radical foi o último trabalho da atriz Yara Amaral, que morreu, aos 52 anos, vítima do naufrágio do barco Bateau Mouche, na noite de reveillon de 1988 pra 1989, na Baía de Guanabara no qual sua mãe também perdeu a vida. Yara não sabia nadar.

Consagrada no teatro, Yara Amaral estreou na TV através da novela "O décimo mandamento", na TV Tupi, em 1968, escrita por Benedito Ruy Barbosa. Foi para a TV Globo na década de 1970 e ali brilhou em "Dancin' Days (1978)", "O amor é nosso (1981)", "Sol de verão (1982)", "Guerra dos sexos (1983)", "Um sonho a mais (1985)", "Cambalacho (1986)", "Anos dourados (1986)" e "Fera radical (1988)".

Em “Anos Dourados”, minissérie de Gilberto Braga de 1986, ambientada na década de 1950, Yara Amaral viveu Celeste, a conservadora e rígida mãe de Lurdinha (Malu Mader). Quase dois anos após, em “Fera Radical”, Yara Amaral e Malu Mader voltaram a contracenar juntas. Dessa vez, como inimigas mortais.

Veterana em novelas de Walther Negrão, Laura Cardoso não podia deixar de participar de “Fera Radical”, como Marta, mais um papel feito especialmente para a atriz.

Para conseguir carta branca da direção da Globo, Walther Negrão revelou que criou personagens que só poderiam ser interpretados por Laura Cardoso. Uma das personagens foi à retirante nordestina Donana Sereno, a mãe do Soró (Arnoud Rodrigues) em “Pão Pão, Beijo Beijo”.

Para conquistar Laura Cardoso no papel da governanta portuguesa que acompanhava a protagonista, Bebel (Carla Camurati), para assumir a fábrica do pai no Brasil, em “Livre Para Voar”, Negrão colocou o nome da personagem de Carolina, mãe de Laura Cardoso.

As novelas de Walther Negrão que Laura Cardoso atuou foram: Os Miseráveis (novela da Band em 1967, quando a emissora era chamada de Bandeirantes), Ovelha Negra (Tupi/1975) como Donana, Pão Pão, Beijo Beijo (1983) como Donana, Livre Para Voar (1984/85) como Carolina, Fera Radical (1988) como Marta, Vila Madalena (1999/2000) como Deolinda, Como Uma Onda (2004/05) como dona Francisquinha, Desejo Proibido (2007/08) como Sebastiana, Araguaia (2010/11) como Mariquita, Flor do Caribe (2013) como Veridiana.

Rafael Cardoso e Laura Cardoso como os mafiosos César e Dona Sinhá em "Sol Nascente (2016/17)"
E em Sol Nascente (2016/17) como a velhinha gangster Dona Sinhá. Este último foi um dos papeis mais marcantes de Laura Cardoso na TV, chegando a roubar a cena e conquistando a simpatia do público.

Característica de Walther Negrão em suas novelas, principalmente as dos anos 1980, “Fera Radical” também é marcada por uma boa turma de jovens, cada um com suas histórias de encontros e desencontros amorosos. A maioria dos jovens eram estudantes de agronomia na faculdade da fictícia Rio Novo, hospedados na pensão de Lourdes (Cleide Blota) e que viviam na lanchonete Arqueria Sherwood.

Os jovens eram Ana Paula (Claudia Abreu), Betty (Alexandra Marzo), Paxá (Tato Gabus Mendes), Marcelo (Raul Gazola), Dudu (Luis Maçãs), Rafael (George Otto), Nanda (Fernanda Marmorado ), Ana Cristina Rodrigues, Antonio Viana, Bel Carcia, Carlos Donescau, João Camargo Lima, Kadu Karneiro, Lana Francis, Pedro Pimentel, Raul Toledo, Rodrigo Octavio e Willian Gavião.

Os cantores Cazuza e Sérgio Reis fizeram participações especiais na novela. Cazuza apareceu no capítulo 74 para cantar na reinauguração da Arqueria Sherwood, ponto de encontro dos jovens da novela. Cazuza cantou “Vida Fácil”, tema de Paxá (Tato Gabus Mendes) e “Ideologia”, lançada na época.

Sérgio Reis aparece no capítulo 134, cantando no show de rodeio onde Fernando (José Mayer) é o campeão, com direito a torcida e tudo mais organizada por Cláudia (Malu Mader).

Gabriela Bicalho viveu Cláudia criança. A atriz trabalha como dubladora, hoje em dia, e é irmã da também atriz Izabella Bicalho. Antes, em 1986, Gabriela Bicalho atuou na novela “Cambalaho”, de Silvio de Abreu, vivendo Bepa, uma das filhas adotivas de Naná (Fernanda Montenegro).

Evandro Mesquita viveu o forasteiro aventureiro Alex, nos últimos capítulos de “Fera Radical”. Ele aparecia para disputar um campeonato de arco e flecha e conquistar o coração de Ana Paula (Claudia Abreu).

Milton Gonçalves viveu o delegado Damasceno, que investigava a morte de Jorge Mendes (Rodrigo Santiago).

Denise Del Vecchio tornou-se um nome conhecido pelo grande público através de “Fera Radical”. A atriz deu um salto na carreira na TV, interpretando brilhantemente a problemática Olívia, um dos grandes destaques da novela. Del Vecchio, que vinha de trabalhos em outras emissoras como Tupi e Band, estreou na Globo em 1984, vivendo Anita na minissérie de dez capítulos “A Máfia no Brasil”. Logo após Fera Radical, já em 1989, Denise Del Vecchio viveu Lia, um dos papeis de destaque de “Top Model”, também de Walther Negrão e com Malu Mader como protagonista.

Henri Pagnoncelli viveu o fazendeiro Juca, que se envolvia com Olívia (Denise Del Vecchio), nos últimos capítulos de Fera Radical, após a morte de Jorge Mendes (Rodrigo Santiago).

Reynaldo Gonzaga viveu Vitor, capataz de Joana (Yara Amaral), responsável por executar o serviço contra a família de Cláudia (Malu Mader) no passado.

Carlos Kroeber viveu o Dr Nogueira, advogado de Cláudia que a defende do crime de assassinato de Joana (Yara Amaral).

Benjamin Cattan viveu o promotor de acusação de Cláudia. Ele foi um dos pioneiros da televisão brasileira, escreveu novelas na Tupi, como Hospital (1971) e Simplesmente Maria (1970), esta última também dirigida por ele. Benjamin Cattan morreu no dia 9 de janeiro de 1994. Seu último trabalho na TV foi na novela “Deus nos Acuda”, de Silvio de Abreu, entre 1992/93.

Lutero Luiz viveu o juiz que absolve Cláudia (Malu Mader) da morte de Joana (Yara Amaral), no último capítulo da novela. O ator faleceu no dia 20 de fevereiro de 1990, quando estava gravando a novela “O Sexo dos Anjos”, de Ivani Ribeiro.

Fera Radical também teve cenas no Rio de Janeiro, embora a maior parte das cenas foram na fictícia cidade de Rio Novo.

As cenas de Rio Novo foram gravadas em Vassouras, no Rio de Janeiro, que também serviu de cenário para a Fazenda Olho d’Água, que, na vida real, chama-se Fazenda Aliança.

As cenas na pensão de Lourdes (Cleide Blota) e Robério (Older Cazarré) foram feitas no Retiro dos Artistas, instituição carioca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, que abriga idosos do meio artístico.

A novela foi reapresentada entre dezembro de 1991 e maio de 1992, em Vale a Pena Ver de Novo.

Fera Radical foi exibida em mais de 30 países, como Alemanha, Angola, Argentina, Áustria, Canadá, Espanha, Grécia, Guatemala, Nicarágua, Rússia, Suíça e Turquia.

Fera Radical estreou no Viva em 05 de junho de 2017, quase 30 anos após sua exibição original na Globo.


FERA RADICAL (TRILHA SONORA)

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