
A nova versão de “O Astro” foi sucesso absoluto, tonou-se um atrativo a mais nas noites da Globo, caiu na história da teledramaturgia brasileira e deixará saudade. Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro foram os responsáveis em adaptar o texto de Janete Clair. Uma história original de 1977/78 que veio com uma nova roupagem na medida certa para 2011. Alcides e Geraldo não foram os únicos em fazer de “O Astro”, um grande sucesso. Além da direção, produção, toda equipe técnica, elenco de primeira, entre outros, dois grandes e importantes nomes também foram peças fundamentais na criação dessa nova versão. Foram eles, Vitor de Oliveira e Tarcisio Lara Puaiti. Autores estreantes na Globo, porém de uma privilegiada bagagem literária.
Vitor de Oliveira está na estreia do "PERSONALIDADE MUNDO NOVELAS", numa matéria exclusiva para o site MUNDO NOVELAS. Vamos saber um pouco da vida e carreira deste autor, um dos responsáveis em transformar a adaptação de “O Astro” em um grande sucesso da Globo. Ele revela um pouco sobre sua paixão pelas novelas e como se formou em autor até chegar na equipe de criação de mais uma obra privilegiada da saudosa mestre Janete Clair.
O sonho de me tornar escritor existe desde que me conheço por gente, mas aos poucos fui percebendo que me realizaria plenamente sendo escritor de telenovelas. Sou telespectador precoce e as novelas sempre me fascinaram. Fui criado diante da TV e desde que aprendi a ler e escrever, criava histórias. Minhas primas sempre dizem que eu acabava com todos os cadernos da casa. Sempre escrevi o que chamava de novelas retratando o universo familiar, escolar, do bairro em que morava. Todos viravam personagens de minhas histórias. Dava nomes artísticos para eles com seus respectivos personagens. Loucura total! Depois todos liam e até encenavam às vezes...rs! Tenho vários desses cadernos guardados. Morro de vergonha de mostra-los, mas também tenho um carinho muito grande por eles, pois são verdadeiros diários, documentos de acontecimentos da minha vida. Muito tempo mais tarde, quando comecei a ler a respeito e a fazer cursos, percebi que o que eu escrevia e chamava de novelas com mais de 100 capítulos era muito parecido com o que chamamos de escaleta, que é a descrição das cenas sem os diálogos. Logicamente que procurei somar técnica a essa minha vocação natural com os diversos cursos que fiz.
Como vim do interior e de família de classe média baixa, esse sonho era algo muito distante. Conhecer a Rede Globo então era algo inimaginável. Por isso, fui tocando minha vida, me tornei funcionário público em minha cidade, Petrópolis, e mais tarde fui morar no Rio com o objetivo de fazer faculdade. Já formado em Letras, ingressei no Mestrado (duas vezes) e já estava me encaminhando para uma carreira acadêmica. Foi quando decidi me matricular no curso de roteiro de Maria Carmem Barbosa. Foi o que precisava para acender novamente a chama e o desejo de me tornar roteirista. Acabei abandonando de vez a carreira acadêmica e passei a me dedicar a vários outros cursos, tendo como mestres nomes como Margareth Boury, Marcílio Moraes, Newton Cannito e Max Mallmann, que foi quem me indicou para participar do processo seletivo da Oficina de Teledramaturgia da Rede Globo no ano passado. Depois de passar pelo processo, que contou com mais de 600 candidatos, fui aprovado para a turma de 15 alunos da oficina, que cursei durante 4 meses, sendo um dos contratados no final.
Vitor de Oliveira e Alcides Nogueira (autor de "O Astro")
Vitor na apresentação de "O Astro" para a imprensa
Vitor de Oliveira e a atriz Regina Duarte (Clô Hayalla)

Agora falando de “O astro” propriamente dito, acho que teve a grande inovação em apresentar um estilo híbrido, cujo texto foi fiel o tempo todo ao melodrama que o originou, mas que imprimiu um ritmo mais ágil, de série, o que causou um pouco de estranheza. No entanto, esse ritmo mais ágil permitiu que o “novelão” se sustentasse o tempo todo no decorrer dos capítulos, garantindo ótimos ganchos e cenas grandiosas diariamente. Nada de cenas cotidianas que não somassem à trama: todas as cenas tinham uma progressão necessária para o desenrolar da trama. Esse exercício de escrever sempre o essencial, sem jogar conversar fora, foi um aprendizado riquíssimo, já que tínhamos que aparar os excessos o tempo todo e ficar só com o fundamental da cena. Uma verdadeira escola pra quem está começando. E nessa última semana “O astro” ainda promete grandes surpresas que têm tudo a ver com a atmosfera mágica que caracterizou a novela desde o início, com direito a emoção e suspense até a última cena.
Depois desse carrossel de emoções, agora vou tirar um tempo para descansar, afinal estou com a adrenalina a mil desde os tempos da oficina. Ainda não tenho planos de trabalhos futuros, mas estou contratado e à disposição do que a emissora me designar. A experiência de “O astro” não tem preço, pois além de realizar meu sonho de infância de escrever novela, ainda pude conviver com pessoas que eram verdadeiros mitos em meu imaginário. Aliás, continuam sendo. Se eu admirava esses profissionais antes, agora admiro muito mais. E espero reencontrá-los em um futuro bem próximo. Portanto, até breve.
Vitor de Oliveira

3 comentários:
Obrigado pela oportunidade, queridos! Forte abraço e sucesso para o blog!
O MUNDO NOVELAS estará sempre torcendo por você, amigo.
linda matéria!!! e Vitor sucesso sempre!
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